sexta-feira, 30 de abril de 2010

Poeiras...



O pó que ao nosso redor se ergue...
Capaz de nos turvar o campo de visão...
Agarrado à nossa pele por mais que se esfregue...
Chegando mesmo a causar comichão...

Pequenos fragmentos da nossa vida soltamos...
Por vezes sem com isso nos preocupar...
Para sempre as costas voltamos...
A quem difícil foi encontrar...

Das poeiras onde tudo nasceu...
Ao adeus com sabor muito amargo...
Quase como quem nunca conheceu...
O doce fruto colocado ao largo...

As poeiras que os olhos cobriram...
Adicionadas às saudades deixadas...
Facilmente se removeram...
E pelo vento foram levadas!...

2 comentários:

António Luís disse...

Muito bom!
Amargo, triste, mas bonito!

Caroteno disse...

Não entraria num campo de amargura, é um texto... um registo... uma forma de escrita... as poeiras que preenchem ou de alguma forma ocupam a nossa vida...

Um abraço!