segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Vazio...




Entre o vazio que rodeia as estrofes…
Criado pela ausência do teu rimar…
No lajedo de pedra do meu silêncio…
Procuro onde possa enfim escrever…
Rabisco as palavras que me restam…
Aquelas com que te quero tocar…
E que falta de ar não me deixou pronunciar…
Vinco a folha pela dobra do verso…
Marcando a viragem de uma página…
Ao trespassar um desfiladeiro de vogais…
Terminando uma longa travessia do deserto…
No leito frémito onde ecoam e ressoam…
Os gritos que não consigo enfim soltarem…
Os pássaros feridos do meu tormento…
Dão voz à dor que sinto no meu peito…
Como quem borda um rio sem margens…
Não conhecendo ou tendo qualquer limite…
No frio enrugado da pele cercada e desgastada…
Sacudo as amarras de tudo o que me condena…
Ultrapassando por fim este trilho de escuridão…
A escassa luz ilumina um coro de consoantes…
Sigo então o sangue pisado pelas metáforas…
Sem adjectivos para fugir ao naufrágio…
Procuro um porto onde possa ter abrigo…
No grito obscuro que serpenteia…
Entre o vazio que cerca as estrofes…

Sem comentários: