terça-feira, 23 de outubro de 2012

Pesadelo...



Corto esta amarra do pensamento...
Agarro a ponta por um breve momento...
Não sentindo o mesmo sentimento...
Libertei impedindo o agravar do tormento...
Corto esta amarra da memória...
Solto a ponta dessa velha história...
Libertando tantos momentos de glória...
Onde assino de plena e intensa autoria...
Corto esta amarra da louca paixão...
Respeitando a vontade do coração...
Esquecendo de vez a compaixão...
Para que não acabe num caixão!...
Corto esta amarra de muita alegria...
Agarro a ponta desta vida de fantasia...
Mas canso-me da incerteza da lotaria...
E por isso liberto essa ponta com mestria...
Corto esta amarra do pesadelo...
Como quem corta a ponta do seu cabelo...
Liberto assim a ponta deste novelo...
Sem que para tal precise de um cutelo...

Pesadelo...



Corto esta amarra do pensamento...
Agarro a ponta por um breve momento...
Não sentindo o mesmo sentimento...
Libertei impedindo o agravar do tormento...
Corto esta amarra da memória...
Solto a ponta dessa velha história...
Libertando tantos momentos de glória...
Onde assino de plena e intensa autoria...
Corto esta amarra da louca paixão...
Respeitando a vontade do coração...
Esquecendo de vez a compaixão...
Para que não acabe num caixão!...
Corto esta amarra de muita alegria...
Agarro a ponta desta vida de fantasia...
Mas canso-me da incerteza da lotaria...
E por isso liberto essa ponta com mestria...
Corto esta amarra do pesadelo...
Como quem corta a ponta do seu cabelo...
Liberto assim a ponta deste novelo...
Sem que para tal precise de um cutelo...

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Viver...



Viver é entrar em cena a cada momento...
É não ter medo de enfrentar a memória...
Não negar sentir qualquer sentimento...
Fazê-lo protagonista da nossa própria história...
É dirigir e unir o sentido da nossa emoção...
É viver cada dia como uma nova vitória...
Abraçar o bater do nosso coração...
Viver é não deixar fugir nada da mão...
Aceitar que nada acontece por acaso...
Sentir a vida em cada palmo de chão...
Sem pressas ou medo de qualquer atraso...
Viver é estar em sintonia comigo...
É trazer a beleza de dentro para fora...
Acreditar que o sonho não começa contigo...
Ele começa a cada instante, pode ser agora...
Viver é acreditar que o sonho comanda a vida...
Nunca desistir e encarar o horizonte sorrindo...
É fazer do fim sempre um ponto de partida...


Sentir que a vida está agora apenas começando...

Viver...



Viver é entrar em cena a cada momento...
É não ter medo de enfrentar a memória...
Não negar sentir qualquer sentimento...
Fazê-lo protagonista da nossa própria história...
É dirigir e unir o sentido da nossa emoção...
É viver cada dia como uma nova vitória...
Abraçar o bater do nosso coração...
Viver é não deixar fugir nada da mão...
Aceitar que nada acontece por acaso...
Sentir a vida em cada palmo de chão...
Sem pressas ou medo de qualquer atraso...
Viver é estar em sintonia comigo...
É trazer a beleza de dentro para fora...
Acreditar que o sonho não começa contigo...
Ele começa a cada instante, pode ser agora...
Viver é acreditar que o sonho comanda a vida...
Nunca desistir e encarar o horizonte sorrindo...
É fazer do fim sempre um ponto de partida...


Sentir que a vida está agora apenas começando...

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Sonhei...



Hoje sonhei contigo...
Acordei durante noite...
Não te senti comigo...
Nem no sonho aceite...
Um sonho, talvez um sinal...
Como pode ser interpretado...
Saber que algo correu mal...
Deixar o sonho assim terminado...
Sonhei contigo esta noite...
Um sonho em tudo diferente...
Onde apenas o silêncio reinou...
Isto enquanto o sonho durou...
Em tempos sonhei acordado...
Sentindo-te sempre a meu lado...
Hoje o sonho em tudo mudou...
Pois foi um sonho que me acordou!...

Sonhei...



Hoje sonhei contigo...
Acordei durante noite...
Não te senti comigo...
Nem no sonho aceite...
Um sonho, talvez um sinal...
Como pode ser interpretado...
Saber que algo correu mal...
Deixar o sonho assim terminado...
Sonhei contigo esta noite...
Um sonho em tudo diferente...
Onde apenas o silêncio reinou...
Isto enquanto o sonho durou...
Em tempos sonhei acordado...
Sentindo-te sempre a meu lado...
Hoje o sonho em tudo mudou...
Pois foi um sonho que me acordou!...

domingo, 14 de outubro de 2012

Diário de um apaixonado - O desconhecido




Aquela sexta feira não lhe saía da cabeça, todo o fim de semana reviveu cada instante daquela noite. Tinha saído de casa com as amigas para se divertir e a noite tinha terminado num abraço a um desconhecido. Maria ia a caminho do seu trabalho e ainda a pensar no que havia vivido e quem seria aquele António que de uma forma tão diferente a tinha tocado no seu interior.
- Hoje vais muito calada e distraída!- exclamou a Luísa.
- Estava aqui ainda a pensar na noite de sexta.- retorquiu Maria.
Luísa era uma colega de trabalho com quem dividia a boleia, a vida não estava fácil e se podia gastar menos era de aproveitar. Com este esquema de boleias, Luísa e Maria tornaram-se grandes amigas.
- Então, então conta lá o que teve a noite de sexta?
Luísa tinha ficado em casa nessa noite, sintomas gripais tinham-na retido e não sabia ainda o que se tinha passado.
- Oh! Se calhar não foi nada de especial. Talvez tenha sido só uma impressão minha!
- Ai! Conta de uma vez que estou a ficar ainda mais curiosa, e não poupes nos pormenores.
Maria contou então à sua amiga onde tinha ido e o que tinha sentido em relação àquele desconhecido de nome António. Estava Maria a descrever o abraço perfeito que tinham dado quando foi interrompida pelo toque do seu telemóvel. Pegou no telemóvel e leu a mensagem recebida «Bom dia, espero que o fim de semana tenha sido bom. Desejo-te um bom dia de trabalho. Ass. Desconhecido». Sem dar por isso Maria voltou a ler a mensagem outra vez, mas desta vez sem se aperceber fê-lo em voz alta.
- Uhm! Desconhecido, pois, pois! Conta-me lá outra vez essa história. 
A cabeça de Maria estava a mil! Seria o António? Como tinha conseguido o seu número? Era perguntas que lhe corriam o pensamento e a um ritmo alucinante e desenfreado.
- Foi como te disse! Esta mensagem não sei de quem é. Pode ser alguma brincadeira.
- Vais responder?
- Não, claro que não!
Dito isto arrumou o telemóvel na mala e saiu do carro. Tinham chegado ao hospital. Maria era enfermeira no hospital de Luz. Foram vestir as fardas e picaram o ponto. Maria continuava a pensar em tudo o que estava a viver e no que se tinha passado. As perguntas que a tinham assaltado no carro continuavam o combate no seu interior.
- Então já lhe respondeste?- perguntou Luísa numa das vezes que se cruzou com Maria num dos corredores.
- Não! Já te tinha dito que não vou responder.
O turno daquele dia parecia nunca mais ter fim. Sem que se cruzava com a sua amiga ela insistia com a mesma pergunta. Maria dava sempre a mesma resposta. Contudo, a verdade é que crescia nela uma vontade imensa e inexplicável de dar resposta àquela mensagem, àquela provocação.
As duas amigas sentaram-se juntas um pouco durante a hora de almoço. Luísa procurava na amiga saber o que ela sentia e se ia responder.
- Ok! Vou dar uma resposta.
Mas agora o que escrever? A quem estava afinal a escrever? Perguntas e mais perguntas que de novo a assaltavam. Por fim decidiu-se «Olá boa tarde. O dia vai correndo bem. Ass. Desconhecida»
- Tu és mazinha! Podias ser um pouco mais macia.
Maria sabia que a amiga até podia ter alguma razão, mas a realidade é que não tinha a certeza para quem estava a escrever e como tal devia ter algum cuidado. Ainda o pensamento corria na sua cabeça, já tinha escrito a mensagem e enviado.
- Pronto, satisfeita?
Luísa não respondeu, mas Maria sentia dentro de si uma brisa de satisfação por ter respondido àquela mensagem misteriosa. Ainda apreciava o momento e ouviu de novo o toque do telemóvel. No ecrã aparecia «Olá Maria, tu não és uma desconhecida. Agora o meu dia ficou muito melhor. Ass. Desconhecido».
- Mau! Então só pode estar a brincar comigo!
- Então o que se passou? O que diz a mensagem? É ele de novo?
Maria estava agora a ferver interiormente. Segunda mensagem e não se identifica e continua a brincar comigo, pensou! Maria leu a mensagem em voz alta para a amiga.
- Então e agora Maria o que vais fazer?
Pois, aí estava uma questão que Maria ponderava! 
- Agora não vou mesmo responder!
Eram horas de retomar o trabalho e esfriar a cabeça os seus doentes mereciam toda a sua atenção e cuidado. Nos tempos mortos as mesmas questões prendiam-lhe o pensamento. A tarde parecia correr mais rápido que a manhã e quase sem dar por ela o turno estava terminado. As duas amigas encontravam-se de novo no vestiário e prontas para saírem rumo a casa.
Enquanto punha o carro a trabalhar Luísa perguntou:
- Ainda não disse mais nada? E tu já respondeste alguma coisa?
- Não e não!
- Estás mal disposta?!
- O que achas? Alguém apanhou o meu número de telemóvel e acontece isto, como queres que esteja.
- Provavelmente será o teu António! Não te inquietes!
Maria desejava que fosse, mas mesmo assim sentia-se furiosa com ele. A viagem para casa foi muito mais silenciosa.
- Obrigado Luísa, até amanhã.
- Xau, depois de houver mudanças ou novidades diz.
Maria ia agora sozinha até sua casa, a viagem era bem mais curta. 
Finalmente em casa! Maria dirigiu-se à casa de banho, tinha decidido durante a viagem que iria tomar um belo banho de espuma para relaxar e espantar todas as inquietações do dia. De novo o telemóvel a tocar, no ecrã «Olá Maria, desculpa! Devia ter dito quem era à mais tempo. Queria fazer-te uma surpresa. Ass. António». O coração de Maria bateu mais forte, estava feliz por ser António, mas ainda sentia aquela fúria por ele ter andado a brincar.

(continua)

Diário de um apaixonado - O desconhecido




Aquela sexta feira não lhe saía da cabeça, todo o fim de semana reviveu cada instante daquela noite. Tinha saído de casa com as amigas para se divertir e a noite tinha terminado num abraço a um desconhecido. Maria ia a caminho do seu trabalho e ainda a pensar no que havia vivido e quem seria aquele António que de uma forma tão diferente a tinha tocado no seu interior.
- Hoje vais muito calada e distraída!- exclamou a Luísa.
- Estava aqui ainda a pensar na noite de sexta.- retorquiu Maria.
Luísa era uma colega de trabalho com quem dividia a boleia, a vida não estava fácil e se podia gastar menos era de aproveitar. Com este esquema de boleias, Luísa e Maria tornaram-se grandes amigas.
- Então, então conta lá o que teve a noite de sexta?
Luísa tinha ficado em casa nessa noite, sintomas gripais tinham-na retido e não sabia ainda o que se tinha passado.
- Oh! Se calhar não foi nada de especial. Talvez tenha sido só uma impressão minha!
- Ai! Conta de uma vez que estou a ficar ainda mais curiosa, e não poupes nos pormenores.
Maria contou então à sua amiga onde tinha ido e o que tinha sentido em relação àquele desconhecido de nome António. Estava Maria a descrever o abraço perfeito que tinham dado quando foi interrompida pelo toque do seu telemóvel. Pegou no telemóvel e leu a mensagem recebida «Bom dia, espero que o fim de semana tenha sido bom. Desejo-te um bom dia de trabalho. Ass. Desconhecido». Sem dar por isso Maria voltou a ler a mensagem outra vez, mas desta vez sem se aperceber fê-lo em voz alta.
- Uhm! Desconhecido, pois, pois! Conta-me lá outra vez essa história. 
A cabeça de Maria estava a mil! Seria o António? Como tinha conseguido o seu número? Era perguntas que lhe corriam o pensamento e a um ritmo alucinante e desenfreado.
- Foi como te disse! Esta mensagem não sei de quem é. Pode ser alguma brincadeira.
- Vais responder?
- Não, claro que não!
Dito isto arrumou o telemóvel na mala e saiu do carro. Tinham chegado ao hospital. Maria era enfermeira no hospital de Luz. Foram vestir as fardas e picaram o ponto. Maria continuava a pensar em tudo o que estava a viver e no que se tinha passado. As perguntas que a tinham assaltado no carro continuavam o combate no seu interior.
- Então já lhe respondeste?- perguntou Luísa numa das vezes que se cruzou com Maria num dos corredores.
- Não! Já te tinha dito que não vou responder.
O turno daquele dia parecia nunca mais ter fim. Sem que se cruzava com a sua amiga ela insistia com a mesma pergunta. Maria dava sempre a mesma resposta. Contudo, a verdade é que crescia nela uma vontade imensa e inexplicável de dar resposta àquela mensagem, àquela provocação.
As duas amigas sentaram-se juntas um pouco durante a hora de almoço. Luísa procurava na amiga saber o que ela sentia e se ia responder.
- Ok! Vou dar uma resposta.
Mas agora o que escrever? A quem estava afinal a escrever? Perguntas e mais perguntas que de novo a assaltavam. Por fim decidiu-se «Olá boa tarde. O dia vai correndo bem. Ass. Desconhecida»
- Tu és mazinha! Podias ser um pouco mais macia.
Maria sabia que a amiga até podia ter alguma razão, mas a realidade é que não tinha a certeza para quem estava a escrever e como tal devia ter algum cuidado. Ainda o pensamento corria na sua cabeça, já tinha escrito a mensagem e enviado.
- Pronto, satisfeita?
Luísa não respondeu, mas Maria sentia dentro de si uma brisa de satisfação por ter respondido àquela mensagem misteriosa. Ainda apreciava o momento e ouviu de novo o toque do telemóvel. No ecrã aparecia «Olá Maria, tu não és uma desconhecida. Agora o meu dia ficou muito melhor. Ass. Desconhecido».
- Mau! Então só pode estar a brincar comigo!
- Então o que se passou? O que diz a mensagem? É ele de novo?
Maria estava agora a ferver interiormente. Segunda mensagem e não se identifica e continua a brincar comigo, pensou! Maria leu a mensagem em voz alta para a amiga.
- Então e agora Maria o que vais fazer?
Pois, aí estava uma questão que Maria ponderava! 
- Agora não vou mesmo responder!
Eram horas de retomar o trabalho e esfriar a cabeça os seus doentes mereciam toda a sua atenção e cuidado. Nos tempos mortos as mesmas questões prendiam-lhe o pensamento. A tarde parecia correr mais rápido que a manhã e quase sem dar por ela o turno estava terminado. As duas amigas encontravam-se de novo no vestiário e prontas para saírem rumo a casa.
Enquanto punha o carro a trabalhar Luísa perguntou:
- Ainda não disse mais nada? E tu já respondeste alguma coisa?
- Não e não!
- Estás mal disposta?!
- O que achas? Alguém apanhou o meu número de telemóvel e acontece isto, como queres que esteja.
- Provavelmente será o teu António! Não te inquietes!
Maria desejava que fosse, mas mesmo assim sentia-se furiosa com ele. A viagem para casa foi muito mais silenciosa.
- Obrigado Luísa, até amanhã.
- Xau, depois de houver mudanças ou novidades diz.
Maria ia agora sozinha até sua casa, a viagem era bem mais curta. 
Finalmente em casa! Maria dirigiu-se à casa de banho, tinha decidido durante a viagem que iria tomar um belo banho de espuma para relaxar e espantar todas as inquietações do dia. De novo o telemóvel a tocar, no ecrã «Olá Maria, desculpa! Devia ter dito quem era à mais tempo. Queria fazer-te uma surpresa. Ass. António». O coração de Maria bateu mais forte, estava feliz por ser António, mas ainda sentia aquela fúria por ele ter andado a brincar.

(continua)

Rendo-me...



Na forma mais simples, eu digo rendo-me...
A ti, a tudo, a mim e a nós... 
Às coisas que a vida não me deu, e que eu tanto pedi....
Às coisas que a vida me deu, e que eu perdi...
Aos sonhos que tanto sonhei, e não vieram...
Rendo-me .... 
Às maravilhas por mim deslumbradas...
A todas as outras mesmo as mais sofisticadas...
Rendo-me ao Universo de sombras e luz...
Rendo-me a tu que tanto me seduz...
Rendo este corpo cansado e moído...
De tantas máscaras vestidas já saturado...
Rendo-me a todas as cores que no céu brilham...
Às estrelas que durante a noite me iluminam...
Rendo-me ao mar que me toca a pele...
Às ondas que revelam a tua tatuagem na minha pele...


Rendo-me a tudo o que me faz feliz...

Rendo-me...



Na forma mais simples, eu digo rendo-me...
A ti, a tudo, a mim e a nós... 
Às coisas que a vida não me deu, e que eu tanto pedi....
Às coisas que a vida me deu, e que eu perdi...
Aos sonhos que tanto sonhei, e não vieram...
Rendo-me .... 
Às maravilhas por mim deslumbradas...
A todas as outras mesmo as mais sofisticadas...
Rendo-me ao Universo de sombras e luz...
Rendo-me a tu que tanto me seduz...
Rendo este corpo cansado e moído...
De tantas máscaras vestidas já saturado...
Rendo-me a todas as cores que no céu brilham...
Às estrelas que durante a noite me iluminam...
Rendo-me ao mar que me toca a pele...
Às ondas que revelam a tua tatuagem na minha pele...


Rendo-me a tudo o que me faz feliz...

sábado, 13 de outubro de 2012

Grito de Guerra...



Este é o grito de guerra...
Que há muito estava guardado...
No coração do homem da serra...
Cansado de ser magoado...
Nas artes do amor sou aprendiz...
E com isso senti muita dor...
Chegou a hora de ser feliz...
Seja aqui ou onde for...
Na minha vida quero felicidade...
Ao resto fecho de vez a porta...
Não deixa qualquer saudade...
O que nos faz sentir carne morta...
Este é o grito mudo de guerra...
No momento de gritar ao mundo basta...
Fixar bem os pés no chão desta terra...
E deixar a vida outrora madrasta!...

Grito de Guerra...



Este é o grito de guerra...
Que há muito estava guardado...
No coração do homem da serra...
Cansado de ser magoado...
Nas artes do amor sou aprendiz...
E com isso senti muita dor...
Chegou a hora de ser feliz...
Seja aqui ou onde for...
Na minha vida quero felicidade...
Ao resto fecho de vez a porta...
Não deixa qualquer saudade...
O que nos faz sentir carne morta...
Este é o grito mudo de guerra...
No momento de gritar ao mundo basta...
Fixar bem os pés no chão desta terra...
E deixar a vida outrora madrasta!...

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Provérbio...




"Não há que ser forte. Há que ser flexível."
(Provérbio Chinês)

Provérbio...




"Não há que ser forte. Há que ser flexível."
(Provérbio Chinês)

Feliz...





Sou feliz, quero continuar a ser feliz... não quero tristeza e quem vier com intenção de trazer esses sentimentos será corrido à vassourada! 

Feliz...





Sou feliz, quero continuar a ser feliz... não quero tristeza e quem vier com intenção de trazer esses sentimentos será corrido à vassourada! 

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Diário de um apaixonado - capítulo III - O Jantar





            Os olhos abriram sem preocupação ou pressa, António sabia que era sábado e como tal a correria de todas as manhãs não era necessária. Contudo este também não era um sábado normal, havia uma grande responsabilidade e vontade pela frente. Naquele dia ia cozinhar, como sempre o fazia, mas desta vez não era apenas para si.
            Já com o corpo desperto para o novo dia, saiu de casa era tempo de ir às compras. Por onde começar?!... Talvez primeiro devesse decidir a ementa para o jantar, mas António tinha os pensamentos turvados pelo desejo de ser bem sucedido e como tal apenas se dirigiu ao talho. Ficou em frente da montra observando a carne vezes sem conta, parecia hipnotizado ou esperando que algum pedaço lhe dissesse leva-me a mim.
- Manel, arranja-me este naco de carne!- pediu António, acrescentando- apara-me esse bocado porque é para fazer um assado.
            Manel era o dono do talho onde António habitualmente ia buscar os seus produtos. Conhecia o dono desde os tempos de criança em que ele ia vender a carne aos seus avós. Havia ali uma relação de confiança que ambos respeitavam e queriam manter.
- Então hoje vai haver prato especial?!...- retorquiu Manel ao pedido de António. Enquanto isso tratava cuidadosamente da carne para o seu cliente, mas acima de tudo, para o seu amigo.
- Hoje vou ter um jantar que quero muito que corra muito bem!- e mais não disse António. Manel também não questionou mais nada apenas deu o seu melhor para ajudar o seu amigo.
- Está bom assim?
- Sim, parece bem.
- Precisas de mais alguma coisa?
- Não, –disse António sorrindo- de ti apenas precisava da carne.
            Antes de ir para casa tinha ainda mais um destino. Eram precisos legumes frescos. Dissessem o que as pessoas dissessem, António sempre que precisava de legumes frescos, era no mercado que ele confiava.
- Então freguês, o que precisa hoje?
            António observava os produtos expostos e ia andando em torno da banca da vendedora, muito lentamente e atento a todos os pormenores.
- Então o que vai ser?
            A senhora insistia, mas para António não havia qualquer pressa.
- Bom dia, olhe quero uns brócolos, fresquinhos!
- Então aqui na banca da Cristina todos os produtos são frescos!
            António pegou no saco e suspirou. Estavam comprados os condimentos necessários para o prato que imaginou para o jantar. Era tempo de ir até casa e tratar dos temperos da carne.
            Mesmo sem perceber ainda a razão, António tinha a sensação que lhe faltava algo para essa noite que se ia aproximando. Deu voltas no seu pensamento procurando o que seria. A certa altura tudo se tornou mais claro! Voltou a pegar nas chaves do carro e a sair. Foi um entra e sai das várias lojas! Como era possível! Tudo parecia tão certo e agora tinha que faltar algo! António já estava impaciente. Entrou em nova loja.
- Só me faltava mais esta! Agora a loja está vazia!
            O seu nervoso já lhe fazia saltar as palavras em voz alta. Enquanto não aparecia ninguém foi observando os artigos em exposição. Muitas peças de belíssima qualidade e não encontrava o que procurava! Tinha sua ideia fixa no artigo que queria e não se contentaria com menos que isso.
- Então o que deseja?...
            Finalmente, pensou António, voltando-se em direcção à voz que a ele se dirigia. Explicou cuidadosamente o que pretendia e mostrou o seu desconsolo em verificar que não tinham artigos daquele género em exposição.
- Espere um pouco, vou ver se tenho alguma coisa assim lá dentro.
            Uma luz de esperança acendeu-se. Depois de horas à procura, pela primeira vez algum alento surgiu nas palavras do vendedor. A espera adensava-se e o homem que não surgia de regresso. A espera de António começava a dar lugar a uma impaciência crescente. Já António tinha percorrido quilómetros de um lado para o outro quando avistou as cortinas a movimentarem-se. O vendedor trazia na mão uma pequena caixa empoeirada.
- Aqui está! Penso que seja isto que deseja.
            Cuidadosamente o senhor tirou o artigo do interior da caixa, os olhos de António brilharam mais que todas as luzes da loja. Finalmente toda a busca tinha sido recompensada e tinha encontrado o artigo desejado.
            As horas voavam a um ritmo alucinante, os ponteiros do relógio pareciam não conseguir acompanhar a sua correria.
            Estava na hora de começar a preparar o jantar! António dirigiu-se à cozinha, colocou o seu avental e arregaçou as suas mangas. Antes de começar, desenhou tudo o que tinha a fazer até estar pronto. O dia tinha passado a correr, entre compras e outros afazeres António tinha tido um dia muito atarefado mas agora a sua concentração era total.
            Tudo corria de acordo com os planos que tinha feito antes de começar e os prazos de tempo estavam a ser respeitados. O jantar não teria atrasos, António na aceitava que se pudesse atrasar. O seu olfacto dava-lhe a aprovação de que estaria a ficar bom, não provou o cozinhado. Era tempo de acrescentar o ingrediente secreto. Em cada prato que cozinhava, António tinha sempre que colocar o seu toque pessoal, fosse um ingrediente diferente, uma erva aromática ou outro qualquer condimento. Pela última vez lançou um olhar sobre o jantar e fechou a porta do forno.
            A hora aproximava-se. Dez minutos antes da hora a campainha tocava. António sabia quem era, mesmo sem precisar de perguntar. Estava tudo pronto, a mesa posta, já tinha tomado banho, cortado a barba, colocado um aftershave bem perfumado. Agora era hora de abrir a porta.
            Maria subia as escadas com passos majestosos, os seus longos cabelos negros descaíam sobre o seu ombro esquerdo. Aquele top vermelho constatava de forma magnífica com o seu cabelo. António à porta do seu apartamento observava aquele sonho de mulher dirigindo-se para a si.
- Estás linda! Melhor tu és linda!
- És um exagerado.
            Os dois abraçaram-se, de seguida dos seus lábios tocaram-se, acariciaram-se, de maneira intensa e única. Os olhos tocaram-se e observaram a alma um do outro.
- Cheira muito bem. Então chef o que vai ser o jantar?
- Segredo, está quase pronto. Deixa-me mostrar-te a minha casa. Só não podes ir à cozinha.
            António mostrou o seu apartamento a Maria, era a sua primeira visita. Quando passaram pela cozinha puxou-a num passo de dança para não a deixar entrar e dirigiram-se para a sala.
- Muito bem, até a mesa já está posta.
- Sim, o vinho já respira e daqui a pouco poderemos jantar.
            Os dois sentaram-se no sofá. Maria observava o espaço que a envolvia.
- Ena! Tantos troféus! – exclamou.
- Já viste, um campeão! – disse António enquanto se ria.
            Levantou-se e dirigiu-se à mesa. Colocou um pouco de vinho nos copos e dirigiu-se para junto de Maria. Enquanto entregava o copo sorriu.
- Porque te ris?- inquiriu Maria.
- Se soubesses a história destes copos- retorquiu António.
            Dito isto, António contou como tinha sido a sua busca por aqueles copos de pé alto e de balão.
- Tu és incrível, fizeste tudo isso?
- É verdade, se quiseres um dia destes apresento-te o salvador que me conseguiu estes copos.
- Tonto! O importante é estarmos juntos, os copos são meros acessórios!
            António tinha a plena consciência disso, mas naquela noite para além de estar na melhor companhia do universo, queria também que não faltasse nenhum adereço.
- Jantamos? perguntou António.
- Já vamos, temos a noite inteira para nós, ou estás com pressa?
- Não! A noite é mesmo ainda uma criança.
            Os dois brindaram à noite eu tinham pela frente e ao dia de amanhã. Ambos detestavam falar de futuro, apenas do presente e no máximo do dia seguinte.
            Sentados à mesa de olhos mergulhados no olhar um do outro, sem que mais nada interessasse.
- Então o chef está aprovado?
            Era uma pergunta de formalidade, quer António quer Maria estavam com mais dedicação um ao outro do que ao jantar. Mas Maria surpreendeu na sua resposta.
- Tem um sabor especial, o que é?
            António nem se tinha apercebido do seu toque no prato cozinhado, mas Maria tinha logo percepcionado.
- É o toque especial do chef, não pode ser revelado.
            O primeiro jantar juntos ficou registado para ambos, António tinha a sua Maria ali tão perto e nesse instante começou a sonhar acordado.

(Continua)

Diário de um apaixonado - capítulo III - O Jantar





            Os olhos abriram sem preocupação ou pressa, António sabia que era sábado e como tal a correria de todas as manhãs não era necessária. Contudo este também não era um sábado normal, havia uma grande responsabilidade e vontade pela frente. Naquele dia ia cozinhar, como sempre o fazia, mas desta vez não era apenas para si.
            Já com o corpo desperto para o novo dia, saiu de casa era tempo de ir às compras. Por onde começar?!... Talvez primeiro devesse decidir a ementa para o jantar, mas António tinha os pensamentos turvados pelo desejo de ser bem sucedido e como tal apenas se dirigiu ao talho. Ficou em frente da montra observando a carne vezes sem conta, parecia hipnotizado ou esperando que algum pedaço lhe dissesse leva-me a mim.
- Manel, arranja-me este naco de carne!- pediu António, acrescentando- apara-me esse bocado porque é para fazer um assado.
            Manel era o dono do talho onde António habitualmente ia buscar os seus produtos. Conhecia o dono desde os tempos de criança em que ele ia vender a carne aos seus avós. Havia ali uma relação de confiança que ambos respeitavam e queriam manter.
- Então hoje vai haver prato especial?!...- retorquiu Manel ao pedido de António. Enquanto isso tratava cuidadosamente da carne para o seu cliente, mas acima de tudo, para o seu amigo.
- Hoje vou ter um jantar que quero muito que corra muito bem!- e mais não disse António. Manel também não questionou mais nada apenas deu o seu melhor para ajudar o seu amigo.
- Está bom assim?
- Sim, parece bem.
- Precisas de mais alguma coisa?
- Não, –disse António sorrindo- de ti apenas precisava da carne.
            Antes de ir para casa tinha ainda mais um destino. Eram precisos legumes frescos. Dissessem o que as pessoas dissessem, António sempre que precisava de legumes frescos, era no mercado que ele confiava.
- Então freguês, o que precisa hoje?
            António observava os produtos expostos e ia andando em torno da banca da vendedora, muito lentamente e atento a todos os pormenores.
- Então o que vai ser?
            A senhora insistia, mas para António não havia qualquer pressa.
- Bom dia, olhe quero uns brócolos, fresquinhos!
- Então aqui na banca da Cristina todos os produtos são frescos!
            António pegou no saco e suspirou. Estavam comprados os condimentos necessários para o prato que imaginou para o jantar. Era tempo de ir até casa e tratar dos temperos da carne.
            Mesmo sem perceber ainda a razão, António tinha a sensação que lhe faltava algo para essa noite que se ia aproximando. Deu voltas no seu pensamento procurando o que seria. A certa altura tudo se tornou mais claro! Voltou a pegar nas chaves do carro e a sair. Foi um entra e sai das várias lojas! Como era possível! Tudo parecia tão certo e agora tinha que faltar algo! António já estava impaciente. Entrou em nova loja.
- Só me faltava mais esta! Agora a loja está vazia!
            O seu nervoso já lhe fazia saltar as palavras em voz alta. Enquanto não aparecia ninguém foi observando os artigos em exposição. Muitas peças de belíssima qualidade e não encontrava o que procurava! Tinha sua ideia fixa no artigo que queria e não se contentaria com menos que isso.
- Então o que deseja?...
            Finalmente, pensou António, voltando-se em direcção à voz que a ele se dirigia. Explicou cuidadosamente o que pretendia e mostrou o seu desconsolo em verificar que não tinham artigos daquele género em exposição.
- Espere um pouco, vou ver se tenho alguma coisa assim lá dentro.
            Uma luz de esperança acendeu-se. Depois de horas à procura, pela primeira vez algum alento surgiu nas palavras do vendedor. A espera adensava-se e o homem que não surgia de regresso. A espera de António começava a dar lugar a uma impaciência crescente. Já António tinha percorrido quilómetros de um lado para o outro quando avistou as cortinas a movimentarem-se. O vendedor trazia na mão uma pequena caixa empoeirada.
- Aqui está! Penso que seja isto que deseja.
            Cuidadosamente o senhor tirou o artigo do interior da caixa, os olhos de António brilharam mais que todas as luzes da loja. Finalmente toda a busca tinha sido recompensada e tinha encontrado o artigo desejado.
            As horas voavam a um ritmo alucinante, os ponteiros do relógio pareciam não conseguir acompanhar a sua correria.
            Estava na hora de começar a preparar o jantar! António dirigiu-se à cozinha, colocou o seu avental e arregaçou as suas mangas. Antes de começar, desenhou tudo o que tinha a fazer até estar pronto. O dia tinha passado a correr, entre compras e outros afazeres António tinha tido um dia muito atarefado mas agora a sua concentração era total.
            Tudo corria de acordo com os planos que tinha feito antes de começar e os prazos de tempo estavam a ser respeitados. O jantar não teria atrasos, António na aceitava que se pudesse atrasar. O seu olfacto dava-lhe a aprovação de que estaria a ficar bom, não provou o cozinhado. Era tempo de acrescentar o ingrediente secreto. Em cada prato que cozinhava, António tinha sempre que colocar o seu toque pessoal, fosse um ingrediente diferente, uma erva aromática ou outro qualquer condimento. Pela última vez lançou um olhar sobre o jantar e fechou a porta do forno.
            A hora aproximava-se. Dez minutos antes da hora a campainha tocava. António sabia quem era, mesmo sem precisar de perguntar. Estava tudo pronto, a mesa posta, já tinha tomado banho, cortado a barba, colocado um aftershave bem perfumado. Agora era hora de abrir a porta.
            Maria subia as escadas com passos majestosos, os seus longos cabelos negros descaíam sobre o seu ombro esquerdo. Aquele top vermelho constatava de forma magnífica com o seu cabelo. António à porta do seu apartamento observava aquele sonho de mulher dirigindo-se para a si.
- Estás linda! Melhor tu és linda!
- És um exagerado.
            Os dois abraçaram-se, de seguida dos seus lábios tocaram-se, acariciaram-se, de maneira intensa e única. Os olhos tocaram-se e observaram a alma um do outro.
- Cheira muito bem. Então chef o que vai ser o jantar?
- Segredo, está quase pronto. Deixa-me mostrar-te a minha casa. Só não podes ir à cozinha.
            António mostrou o seu apartamento a Maria, era a sua primeira visita. Quando passaram pela cozinha puxou-a num passo de dança para não a deixar entrar e dirigiram-se para a sala.
- Muito bem, até a mesa já está posta.
- Sim, o vinho já respira e daqui a pouco poderemos jantar.
            Os dois sentaram-se no sofá. Maria observava o espaço que a envolvia.
- Ena! Tantos troféus! – exclamou.
- Já viste, um campeão! – disse António enquanto se ria.
            Levantou-se e dirigiu-se à mesa. Colocou um pouco de vinho nos copos e dirigiu-se para junto de Maria. Enquanto entregava o copo sorriu.
- Porque te ris?- inquiriu Maria.
- Se soubesses a história destes copos- retorquiu António.
            Dito isto, António contou como tinha sido a sua busca por aqueles copos de pé alto e de balão.
- Tu és incrível, fizeste tudo isso?
- É verdade, se quiseres um dia destes apresento-te o salvador que me conseguiu estes copos.
- Tonto! O importante é estarmos juntos, os copos são meros acessórios!
            António tinha a plena consciência disso, mas naquela noite para além de estar na melhor companhia do universo, queria também que não faltasse nenhum adereço.
- Jantamos? perguntou António.
- Já vamos, temos a noite inteira para nós, ou estás com pressa?
- Não! A noite é mesmo ainda uma criança.
            Os dois brindaram à noite eu tinham pela frente e ao dia de amanhã. Ambos detestavam falar de futuro, apenas do presente e no máximo do dia seguinte.
            Sentados à mesa de olhos mergulhados no olhar um do outro, sem que mais nada interessasse.
- Então o chef está aprovado?
            Era uma pergunta de formalidade, quer António quer Maria estavam com mais dedicação um ao outro do que ao jantar. Mas Maria surpreendeu na sua resposta.
- Tem um sabor especial, o que é?
            António nem se tinha apercebido do seu toque no prato cozinhado, mas Maria tinha logo percepcionado.
- É o toque especial do chef, não pode ser revelado.
            O primeiro jantar juntos ficou registado para ambos, António tinha a sua Maria ali tão perto e nesse instante começou a sonhar acordado.

(Continua)

Pássaro Livre...




Eu sou pronto para voar...
Como um pássaro de asas livres...
Sou de novo pronto a sonhar...
Bato as asas e voo até Londres...
Fui um passarinho ferido pelo predador...
Caído no meio do deserto, na escuridão...
Tudo parecia acabado era imensa a dor...
Estava condenado a deixar parar o coração...
Curei as minhas feridas e devolvi o amor...
Posso assim voar livremente para onde eu quiser...
Onde de novo sentir o acolher e o profundo calor...
Vou cantar esta liberdade enquanto eu puder...
As feridas outrora abertas estão saradas...
No horizonte vejo os sonhos e a liberdade...
Deixo as mágoas em ondas enfim passadas...
Sinto-me seguro para abraçar de novo a felicidade...