domingo, 7 de outubro de 2012

Diário de um apaixonado - capítulo I - O Mar



      A porta bateu. De olhos ainda meio fechados, o sol brilhava forte no céu, António saiu de casa. O almoço já tinha passado e era tempo de aproveitar a tarde que agora começava. De mochila às costas, lamentando não trazer antes a toalha de praia, os seus passos conduziram-no em direção ao mar. Hoje não era dia de ir a banhos, António saiu de casa com outra missão em mente.
      Calcorreando as pedras da rua sob os seus pés e de olhar fixo no horizonte aproximou-se do seu destino. Como era hábito pediu o tradicional café, sem açúcar e bem quente como assim deve ser. Por entre os vidros o azul inundava os seus olhos, num apelo incessante e majestoso.
      António sentou-se no seu cantinho habitual, todo o ruído ao seu redor esfumou-se num instante; tinha entrado no seu mundo e os seus pensamentos voaram por vários quilómetros. Apesar de todas as barreiras físicas típicas de uma distância considerável o seu destino estava traçado e sem ser necessário GPS, num ápice, fechou os olhos e entrou no local que era o seu destino. Sem que se apercebesse, Maria estava sentada em frente do seu espelho, cuidando os seu cabelo longo e esplendoroso. António aproximou-se silenciosamente e já junto dela sussurrou-lhe ao ouvido:
- Olá Princesa!...
- Estavas aí não te ouvi chegar.
- Era essa a minha intenção, como poderia fazer-te uma surpresa se tu desses conta. Dito isto António presenteia Maria com um ramo de 25 rosas vermelhas.
- Oh!... São lindas, são tantas!
- Princesa, são 25 rosas, tantas como as horas que penso em ti...
- Exagerado, o dia só tem 24 horas. Acrescentou Maria enquanto soltava um sorriso incontrolado.
- Sim, são 24 horas, mas enquanto estou a dormir o tempo pára e volta atrás, por isso penso em ti mais uma hora!... Dito isto, debruçou-se junto de Maria, que já tinha terminado de escovar os seus cabelos, e levemente aproximou-se dos seus lábios rosados e húmidos.
      Os dois beijaram-se num tempo sem fim e sem pressas ficaram olhando no olhar um do outro. As palavras eram desnecessárias, o silêncio reinou sem urgência de interrupção.
- São horas querida, vamos!?
- Sim, estou quase pronta, podes ir buscar o carro.
      António retirou-se e pegou nas chaves. A viagem foi calma, àquela hora o trânsito na cidade era nulo, contrastando com a atribulação que António vivia todos os dias pela manhã. 
- Para onde vamos?
- Se te dissesse deixaria de ser surpresa, não era? - António sabia perfeitamente que Maria adorava uma bela surpresa e aquela noite era muito especial.
      A viagem era curta e o destino aproximava-se.
- Chegámos!
- O que fazemos aqui?! - a expressão de Maria revelava mesmo a enorme surpresa que era para ela o local onde estavam.
- Lembras-te deste local?
- Claro como poderia esquecer! Foi aqui nos que encontrámos pela primeira vez.
      António tinha reservado um quarto no hotel onde ambos se tinham conhecido. Enquanto se dirigiam para o salão de jantar, Maria perguntou:
- Porquê aqui?
- Um dia uma pessoa muito sábia disse-me que não se deve desvendar todos os segredos ou surpresas de uma vez.
- Ainda há mais?!... Eu sabia que essa frase um dia ainda se virava contra mim...
- Boa noite Senhora! Boa noite Senhor! - interrompeu o chefe de sala.
- Boa noite, tenho reserva de mesa!
- Claro senhor, qual o nome?
- António e Maria.
- Ah, sim! Um momento que encaminho-vos já à vossa mesa.
- Mesa com reserva e tudo?
- Claro querias chegar aqui e ficar à espera, já me conheces!
      O jantar estava delicioso, no rosto de Maria estava espelhada uma imensa felicidade, António contemplava tudo isso e o seu interior sorria igualmente.
-  Então e agora?!...
- Calma, estás com pressa! Ainda não terminou...
- Não! Então já jantámos. Estava delicioso, já pagaste. O que é que falta.
      Ainda Maria estava a terminar a frase quando dois violinos se aproximavam tocando uma melodia que lhe era tão familiar. Num gesto rápido e quase sem Maria dar conta, António pegou na sua mão.
- Princesa, já estamos juntos à três anos! Não te posso prometer a perfeição, haverá momentos em que nos iremos chatear, poderão haver discussões, mas posso prometer que te irei amar sempre e para sempre te quero ao meu lado. Queres casar comigo?
      Maria ainda sem ter os pés na terra, pega na mão se António e puxa-o para cima. Os dois abraçam-se e rodam no salão.
- Claro que sim meu amor! Claro que caso contigo.
      Nesse instante o Sr. Joaquim toca no ombro de António, este abre os olhos e vê que não tinha saído da sala do Centro Recreativo onde tinha tomado o seu café.
- Diga Joaquim?!...
- Então amigo está tudo bem? Você fechou os olhos por um pouco e começou a sorrir.
      António tinha viajado no tempo e no espaço, chegando a um momento e local único onde tinha vivido um dos momentos mais felizes da sua vida.

(Continua)

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